Fisioterapia pélvica é apenas para parto normal?

 

Muitas mulheres ainda acreditam que a fisioterapia pélvica é indicada apenas para aquelas que desejam o parto normal, mas essa é uma das maiores dúvidas (e também um dos maiores mitos!) sobre o assunto.
Na verdade, toda gestante pode — e deve — se beneficiar da fisioterapia pélvica, independentemente da via de parto escolhida ou indicada pelo médico.

O que é fisioterapia pélvica na gestação?

A fisioterapia pélvica é uma especialidade que atua na prevenção e no tratamento de disfunções que envolvem a pelve feminina — como incontinência urinária, dor pélvica, constipação e fraqueza do assoalho pélvico.
Durante a gestação, o corpo passa por grandes transformações: o aumento do peso uterino, alterações hormonais e mudanças posturais exigem uma atenção especial à musculatura do assoalho pélvico, que sustenta o útero, a bexiga e o intestino.

Benefícios para quem vai ter parto normal

Para as mulheres que desejam o parto normal, o trabalho da fisioterapia pélvica é essencial para:

  • Melhorar a consciência corporal e o controle da musculatura;
  • Auxiliar no relaxamento durante o trabalho de parto;
  • Favorecer uma dilatação mais eficiente;
  • Reduzir o risco de lacerações e intervenções como a episiotomia.

E para quem fará cesárea?

Mesmo nas cesarianas, a fisioterapia pélvica é fundamental!
Ela ajuda a prevenir disfunções urinárias, melhora o fortalecimento muscular e prepara o corpo para o pós-parto, já que o assoalho pélvico sofre sobrecarga durante toda a gestação — independentemente do tipo de parto.
Além disso, o acompanhamento fisioterapêutico ajuda na recuperação da postura, diminuição das dores lombares e retorno mais rápido às atividades do dia a dia.

Conclusão

A fisioterapia pélvica não é exclusiva do parto normal — ela é uma aliada da mulher em todas as fases: antes, durante e depois da gestação.
Cuidar do assoalho pélvico é cuidar da sua saúde íntima, da sua autoestima e do seu bem-estar físico e emocional.

Seja qual for o tipo de parto, a fisioterapia pélvica é sinônimo de prevenção, conforto e autocuidado.

“Acho que não tenho escape de xixi… sai apenas uma gotinha ao espirrar.” — Sim, você ter escape de xixi!

Você já percebeu que ao espirrar, tossir, rir ou pegar peso, às vezes sai uma pequena gotinha de xixi?
Muitas mulheres acham isso “normal” ou algo que acontece “de vez em quando”, mas a verdade é que qualquer perda involuntária de urina, mesmo que mínima, é considerada um escape urinário — e merece cuidado!

O que é incontinência urinária?

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, e pode acontecer em diferentes situações do dia a dia.
O tipo mais comum é a incontinência urinária de esforço, que ocorre justamente quando a mulher faz um movimento que aumenta a pressão dentro do abdômen — como tossir, espirrar, dar risada ou pular.

Isso acontece porque a musculatura do assoalho pélvico, responsável por sustentar a bexiga e controlar o xixi, está enfraquecida ou desajustada.

Por que isso acontece?

Diversos fatores podem contribuir para o enfraquecimento dessa musculatura, como:

Gravidez e parto (normal ou cesárea);

Alterações hormonais, especialmente na menopausa;

Tosse crônica, constipação ou sobrepeso;

Falta de fortalecimento e consciência da região pélvica.

Com o tempo, se não for tratada, essa “gotinha inocente” pode evoluir para escapes maiores e causar desconforto, vergonha e impacto na qualidade de vida.

A boa notícia: tem tratamento!

A fisioterapia pélvica é o tratamento mais indicado e eficaz para os escapes de xixi.
Com técnicas específicas, exercícios de fortalecimento e reeducação muscular, é possível recuperar o controle urinário, melhorar a força e a coordenação dos músculos do assoalho pélvico e até prevenir que o problema piore.

Não é preciso conviver com o desconforto. O corpo dá sinais, e é importante ouvi-los com carinho.
Apenas uma “gotinha” já é um alerta — e procurar ajuda logo faz toda a diferença!

Cuide de você

Se você se identificou com essa situação, saiba: você não está sozinha, e há solução.
A fisioterapia pélvica pode te ajudar a retomar o controle, a confiança e o bem-estar — porque fazer xixi sem querer nunca deve ser considerado normal.

Vaginismo: dor na relação sexual tem tratamento

Vaginismo: quando a dor impede o prazer e o corpo pede cuidado

Falar sobre dor na relação sexual ainda é um tabu para muitas mulheres. Muitas convivem durante anos com medo, culpa, vergonha ou até acreditando que “é normal sentir dor”. Mas não é. A relação sexual não deve ser dolorosa. E quando existe dor, desconforto ou dificuldade na penetração, o corpo pode estar sinalizando algo importante.

O vaginismo é uma condição mais comum do que se imagina — e tem tratamento.

O que é vaginismo?

O vaginismo acontece quando os músculos do assoalho pélvico se contraem involuntariamente diante da tentativa de penetração. Essa contração não é proposital e pode dificultar ou até impedir completamente a entrada durante a relação sexual, exames ginecológicos ou uso de absorventes internos.

Muitas mulheres descrevem a sensação como:

  • “Parece que tem uma barreira”
  • “Meu corpo trava”
  • “Arde muito”
  • “Sinto uma dor intensa na tentativa de penetração”
  • “Fico tensa e não consigo relaxar”

É importante entender: isso não significa falta de desejo, “frescura”, exagero ou incapacidade. O vaginismo é uma condição real, física e emocional, que merece acolhimento e tratamento adequado.

Quais são os sintomas?

Os sintomas podem variar de mulher para mulher, mas os mais comuns incluem:

  • Dor durante a relação sexual
  • Dificuldade ou impossibilidade de penetração
  • Ardência ou sensação de “queimação”
  • Medo ou ansiedade antes da relação
  • Tensão involuntária do corpo
  • Desconforto em exames ginecológicos
  • Contração involuntária da musculatura íntima

Em alguns casos, a mulher consegue ter penetração com dor. Em outros, a penetração não acontece.

Como o vaginismo afeta a mulher?

O vaginismo não afeta apenas o corpo. Muitas mulheres também sofrem emocionalmente.

É comum surgirem sentimentos como:

  • Frustração
  • Vergonha
  • Culpa
  • Medo
  • Ansiedade
  • Baixa autoestima
  • Dificuldade nos relacionamentos

Muitas pacientes acreditam que estão “sozinhas” vivendo isso, mas a verdade é que milhares de mulheres enfrentam a mesma situação em silêncio.

Por isso, acolher essa dor é tão importante quanto tratar os sintomas físicos.

O que pode causar o vaginismo?

O vaginismo pode ter diferentes causas e, muitas vezes, envolve fatores físicos e emocionais ao mesmo tempo.

Alguns fatores associados incluem:

  • Medo da dor
  • Ansiedade
  • Experiências traumáticas
  • Educação muito rígida sobre sexualidade
  • Histórico de dor ginecológica
  • Infecções recorrentes
  • Endometriose
  • Alterações hormonais
  • Tensão muscular do assoalho pélvico

Cada mulher possui uma história única. Por isso, o tratamento deve ser individualizado e acolhedor.

O vaginismo tem tratamento?

Sim. E o tratamento pode transformar a qualidade de vida da mulher.

A fisioterapia pélvica é uma das principais abordagens no tratamento do vaginismo, ajudando no relaxamento muscular, consciência corporal, dessensibilização da dor e reconexão da mulher com o próprio corpo.

O tratamento pode incluir:

  • Exercícios de relaxamento do assoalho pélvico
  • Técnicas respiratórias
  • Liberação miofascial
  • Dessensibilização gradual
  • Treino de consciência corporal
  • Educação em dor
  • Orientações sobre sexualidade e autocuidado

Em alguns casos, o acompanhamento multidisciplinar com ginecologista e psicólogo também pode ser importante.

Quando procurar ajuda?

Você deve procurar ajuda se:

  • Sente dor na relação sexual
  • Tem medo da penetração
  • Evita relações por desconforto
  • Não consegue realizar exames ginecológicos
  • Percebe tensão ou travamento involuntário

Quanto antes a mulher recebe acolhimento e orientação adequada, melhores costumam ser os resultados.

Você não está sozinha

Se você convive com dor, medo ou dificuldade na relação sexual, saiba de uma coisa: isso não define quem você é.

Seu corpo não está “quebrado”.
Você não precisa suportar dor em silêncio.
E não, não é normal sentir dor durante a relação sexual.

Existe tratamento, acolhimento e caminhos possíveis para recuperar sua confiança, sua intimidade e sua qualidade de vida.

Buscar ajuda é um passo de cuidado com você mesma.

Dra. Maria Clara Aragão
Fisioterapeuta Pélvica — CREFITO 305902-F

Diástese: Saúde da mulher



O QUE É DIÁSTASE ABDOMINAL?

A diástase abdominal nada mais é do que o afastamento patológico dos músculos retos abdominais. Estes músculos em estão unidos por uma estrutura chamada linha alba.

Durante a gravidez ou em quaisquer alterações extremas do seu peso corporal, tem a possibilidade de obter uma diástase. Esta região pode crescer, esticar e não retornar para o seu estado natural, podendo levar a fraqueza abdominal, afastamento parcial ou total, ou até mesmo ruptura da linha alba.

Além da gestação, outros fatores que podem contribuir para desenvolver uma diástase abdominal, como as alterações de peso ou famoso “efeito sanfona”,  idade e fator genético.

Seus sintomas estão associados a, barriga com aparência de grávida, barriga estufada, barriga pochete, escape de xixi, dores na lombar. Deve-se atentar que, ao executar exercícios físicos inadequados pode gerar uma PIA (Pressão Intra-abdominal). A pressão intra-abdominal faz com que projete a barriga para frente, aumentando ainda mais a sua diástase.  O mesmo também serve para a fraqueza do assoalho pélvico, pois ao realizar agachamentos acaba gerando alguns escapes de xixi ou flatos vaginais.

COMO PREVENIR A DIÁSTASE?

A melhor forma de prevenir ou minimizar o agravamento da diástase durante a gestação é fortalecer as musculaturas do core, que é um conjunto de músculos que inclui os glúteos, estabilizadores de coluna, transverso do abdômen e oblíquos do abdômen. Vale ressaltar que os exercícios realizados para gestantes são adaptados.  No pós-parto, recomendamos que aos 45 dias já pode ser realizados a intervenção para o tratamento da diástase, é claro, que se durante o parto não tiver existido nenhum tipo de complicação, como por exemplo, pré-eclâmpsia, ou hemorragia. Nestes casos recomendamos a liberação médica.

COMO DIAGNOSTICAR?

Um profissional especializado em diástase abdominal é de suma importância para que uma avaliação seja bem realizada. Nela identificaremos a largura profundidade, comprimento, fraqueza abdominal e fraqueza do assoalho pélvico. E a segunda forma é através do exame de USG (ultrassom), pois nela iremos conseguir identificar quando ao toque não conseguimos ter uma clareza melhor.

COMO TRATAR?

O tratamento é realizado através de exercícios respiratórios, no qual irá fortalecer o CORE que são os músculos do abdômen, assoalho pélvico, dorsal e glúteo. Ou cirúrgico, porém só utilizamos a cirurgia quando a diástase tem cerca de 6cm em diante, menos que isso utilizamos recursos fisioterapêuticos.

CONSIDERAÇÕES

É de suma importância se atentar ao tratamento correto, verificar se realmente consta uma diástase para traçar uma melhor conduta. Lembre-se que, a diástase  ela pode ser fisiológica ou patológica e a partir daí sua é que começará o seu tratamento.

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